27 de maio de 2012

Pra não dizer que não falei de dores


*Todos direitos reservado ao autor.
Caia verso choroso, caia
Como um velho sorriso
De um velho esquecido

Caia do agouro da ave noturna
E rasgue a rima de um poema perdido

Caia desesperadamente, caia
Do grito inútil
Alojado no pulmão inválido

Caia e tropece em saias
Céus úmidos
Palavras jogadas
Rolando em areias

Caia da mão podre do poeta
Que fere a colcha da cama
Com sua pena-navalha

Saia do poema louco, rouco, pouco
Que de tão fraco
Já nasce morto

Caia verso maldito, caia
Com ódio amado
Armado de fim, mas
Caia sem fim...

JOSÉ SOARES NETO

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